Acho que além de postar referências e discutir sobre cultura digital, podemos ganhar muito mais se perdermos o receio de falar sobre o nosso próprio trabalho, analisando erros e acertos, pedindo opiniões profissionais, etc.
Assim as pessoas discutem, o mercado amadurece e a gente ganha mais potencial pra realizar projetos/campanhas melhores.
Hoje eu planejo e gerencio projetos na Greenvision (produtora audiovisual) e na A.parelhagem (empresa recém criada pra agenciar carreiras artísticas), como a da Gaby Amarantos.
Segue o meu relato:
O “Treme”, primeiro disco solo da Gaby, está prestes a sair, mas ninguém sabia qual era o conceito gráfico, nada. Dai segue a ordem cronológica dos fatos…
(13 de abril, 11 da manhã)
- Gaby achou a capa do disco no facebook de uma pessoa que não conhecemos, residente do RJ, provavelmente funcionário do Teatro Municipal. Não sabemos como essa pessoa conseguiu a capa. Ponto.
O nome do cara é Fabio Fernandes, se quiser procurar o perfil é só se ligar na foto que ele tá na frente de um trem amarelo.
10 minutos de tensão, ligações pra Som Livre e discussões internas pra tomar alguma atitude com relação ao vazamento.
(13 de abril, 12:30)
Ligamos pra Gaby - que tava em São Paulo - e contamos o que isso não partiu do escritório, mas que iríamos aproveitar o vazamento pra fazer um barulho pré lançamento.
(13 de abril, 13:30)
Gaby posta no instagram que vai divulgar a capa do disco às 15 horas. Ou seja, disse que tinha a intenção de divulgar a capa do disco, mas não falou sobre o vazamento.
(13 de abril, 14:00)
postamos no site.
http://gabyamarantos.com/vazou
Duas horas depois nós já tínhamos 2 páginas de busca no Google falando sobre o vazamento e indicando o post no site como a fonte da notícia.
Aqui eu admito uma falha.
Talvez fosse muito melhor esperar a notícia se espalhar sozinha, aproveitar a caraterística da rede em formar opiniões próprias e discutir sobre o vazamento sem interferência de uma posição oficial da artista.
Se esperássemos um turno ou até um dia pra postar no site da Gaby, talvez o barulho fosse muito maior e a gente conseguisse um buzz maior (com opiniões negativas e positivas, claro). Aí sim, postávamos no site pra reativar a discussão.
Da forma como foi feito nós demos margem pra algumas pessoas pensarem que o vazamento foi programado e não espontâneo, já que souberam pelo site oficial da artista.
Se tivéssemos pensado nisso a oportunidade poderia ter sido melhor aproveitada. Ai eu aprendi a pensar melhor e tô aqui dizendo que foi legal. :)
Dai eu jogo um ponto de discussão pra galera: hoje o liveplanning é uma prática que precisa ser exercida por qualquer pessoa que trabalha com comunicação digital. E a quantidade e velocidade com que as informações transitam é muito maior do que a nossa capacidade de absorvê-las e direcioná-las, mas ainda assim precisamos fazer isso pra fazer bons trabalhos.
Sendo assim, considero o liveplanning uma boa prática a ser estudada por todos nós… e seria bom aprendermos juntos e jogar essa reflexão no nosso ambiente de trabalho e estudo.
O que vocês acham?